sábado, 31 de março de 2012

Morfologia Macroscópica

Primeiramente é interessante notar que podemos dividir a camada do coração em 3 partes. Se falarmos na ordem externa-interna, temos: Epicárdio, miocárdio e endocárdio. Porém, existe uma membrana envolvendo todo o coração, no qual chamamos de Pericárdio.
Iniciamos então nosso estudo no pericárdio.

Pericárdio: a membrana que reveste e protege o coração. Ele restringe o coração à sua posição no mediastino, embora permita suficiente liberdade de movimentação para contrações vigorosas e rápidas. O pericárdio consiste em duas partes principais: pericárdio fibroso e pericárdio seroso


        O pericárdio fibroso superficial é um tecido conjuntivo irregular, denso, resistente e  inelástico. Assemelha-se a um saco.




        O pericárdio seroso, mais profundo, é uma membrana mais fina e mais delicada que forma uma dupla camada, circundando o coração. 


Epicárdio: a camada externa do coração é uma delgada lâmina de tecido seroso. O epicárdio é contínuo, a partir da base do coração.


Miocárdio: é a camada média e a mais espessa do coração. É composto de músculo estriado cardíaco. É esse tipo de músculo que permite que o coração se contraia e, portanto, impulsione sangu.


Endocárdio: é a camada mais interna do coração. É uma fina camada de tecido composto por epitélio pavimentoso simples sobre uma camada de tecido conjuntivo. A superfície lisa e brilhante permite que o sangue corra facilmente sobre ela. O endocárdio também reveste as valvas e é contínuo com o revestimento dos vasos sangüíneos que entram e saem do coração.


O coração é dividio em 4 câmara cardíaca: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direita e ventrículo esquerdo.


Átrio direito


Forma  a margem direita do coração e recebe sangue venoso da veia cava superior (VCS), veia cava inferior (VCI) e do seio coronário. A aurícula direita, semelhante a uma orelha é uma bolsa muscular cônica que se projeta do átrio direito como uma câmara adicional, aumentando a capacidade do átrio enquanto se superpõe à aorta ascendente.


No interior do átrio direito, temos:

  1. uma parte porterior lisa, com paredes finas ( o seio das veias cavas), na qual se abrem as veias cavas e o seio coronário, trazendo sangue desoxigenado para o coração
  2. uma parede anterior muscular, rugosa, formada pelos músculos pectíneos
  3. um óstio atrio-ventricular (AV) direito através do qual o átrio direito transfere o sangue desoxigenado para o ventrículo direito.

Ventrículo direito

O ventrículo direito forma a maior parte da face esternocostal do coração. O interior do ventrículo direito possui elevações irregulares ( trábeculares cárneas). Já uma crista muscular espessa, a crista supraventricular, separa a parede muscular rugosa na parte de influxo da câmara da parede lisa do cone arterial.


Entre o átrio direito e o ventrículo direito, existe a valva atrioventricular direita
Saindo do ventrículo direito, existe a artéria pulmonar - no qual temos a valva pulmonar ( uma das semilunares)


Valva atrioventricular direita ( tricúspide) : protege o óstio AV direito. As bases das válvas estão fixadas ao anel fibroso ao redor do óstio. As cordas tendíneas, fixam-se às margens livres às superfícies ventriculares das válvulas anterior, posterior e septal. As cordas tendíneas originam-se dos ápices dos músculos papilares, que são projeções musculares cônicas com base fixadas à parede ventricular. As cordas impedem a separação das válvulas ou a sua inversão quando a tensão é aplicada às cordas tendíneas e mantida durante toda sístole.
Três músculos papilares no ventrículo direito correpondem às valvulas da valva atrioventricular direita: Músculo papilar anterior, músculo papilar posterior e músculo papilar septal.  trábecula septomarginal é um feixe muscular curvo que atravessa a câmara ventricular direita da parte inferior do septo interventricular até a base do músculo papilar anterior. Essa trabécula é importante porque conduz parte do ramo direito do fásciculo AV, uma parte do complexo estimulante do coração até o músculo papilar.


Valva pulmonar: situada no ápice do cone arterial situa-se no nível da terceira cartilagem costa esquerda - As valvas do tronco pulmonar

Separando o átrio direito e o átrio esquerdo, existe o septo interatrial
Separando o ventrículo direito do ventrículo esquerdo, existe o septo interventricular 




Átrio esquerdo: o atrio esquedo forma a maior parte da base do coração. Aqui também existe a aurícula esquerda, que é múscular, tubular, sua parede trabeculada com músculos pectíneos, forma a parte superir da margem esquerda do coração e cavalga a raiz do tronco pulmonar. O interior do átrio esquerdo possui:



  1. uma parte maior com paredes lisas e uma aurícula muscular menor, contendo músculos pectíneos
  2. quatro veias pulmonares
  3. uma parede ligeiramente mais espessa que a do átrio direito
  4. um septo interatrial que se inclina 
  5. um óstio AV esquerdo através do qual o átrio esquerdo transfere o sangue oxigenado que recebe das veias pulmonares para o ventrículo esquerdo


Ventrículo esquerdo: Forma o ápice do coração, quase oda sua face esquerda e margem esquerda, e a maior parte da face diafragmática. Como a pressão arterial é muito maior na circulação sistêmica do que na circulação pulmonar, o ventrículo esquerdo trabalha mais do que o ventrículo direito. No seu interior contém:



  1. Paredes que são duas a três vezes mais espessar do que as paredes do ventrículo direto
  2. Paredes que são cobertas principalmente com uma tela de trabéculas cárneas que são mais finas e mais numerosas que as do ventrículo direito
  3. uma cavidade cônica mais longa que a do ventrículo direito
  4. músculos papilares anteriores e posteriores que são maiores que aqueles do ventrículo direito
  5. uma parte de saída, súpero-anterior, não muscular, de parede lisa, o vestíbulo da aorta, levando ao óstio da aorta e à valva da aorta. 
  6. uma valva atrioventricular esquerda (mitral) com duas válvulas.
A valva atrioventricular esquerda ( mitral)
possui duas válvulas, anterior e posterior. Esta localizada posteriormente ao esterno no nível da quarta cartilagem costal. Cada uma de suas válvulas recebe cordas tendíneas de mais de um músculo papilar

a valva aorta ( semilunares): 

Situada entre o ventrículo esquerdo e a parte ascendente da aorta, é posicionada obliquamente. Está localizada posteriormente ao lado esquerdo do esterno no nível do terceiro espaço intercostal


Inervação


A inervação do músculo cardíaco é de duas formas: extrínseca que provém de nervos situados fora do coração e outra intrínseca que constitui um sistema só encontrado no coração e que se localiza no seu interior. 
A inervação extrínseca deriva do sistema nervoso autônomo, isto é, simpático e parassimpático. Do simpático, o coração recebe os nervos cardíacos simpáticos, sendo três cervicais e quatro ou cinco torácicos. 
As fibras parassimpáticas que vão ter ao coração seguem pelo nervo vago (X par craniano), do qual derivam nervos cardíacos parassimpáticos, sendo dois cervicais e um torácico. 
Fisiologicamente o simpático acelera e o parassimpático retarda os batimentos cardíacos. A inervação intrínseca ou sistema de condução do coração é a razão dos batimentos contínuos do coração. É uma atividade elétrica, intrínseca e rítmica, que se origina em uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas, chamadas células auto-rítmicas (marca passo cardíaco), por serem auto-excitáveis. 


Vascularização: a irrigação do coração é assegurada pelas artérias coronárias e pelo seio coronário. 
As artérias coronárias são duas, uma direita e outra esquerda. Elas têm este nome porque ambas percorrem o sulco coronário e são as duas originadas da artéria aortas. 
Esta artéria, logo depois da sua origem, dirige-se para o sulco coronário percorrendo-o da direita para a esquerda, até ir se anastomosar com o ramo circunflexo, que é o ramo terminal da artéria coronária esquerda que faz continuação desta circundado o sulco coronário. A artéria coronária direita: da origem a duas artérias que vão irrigar a margem direita e a parte posterior do coração, são ela artéria marginal direita e artéria interventricular posterior. 
A artéria coronária esquerda, de início, passa por um ramo por trás do tronco pulmonar para atingir o sulco coronário, evidenciando-se nas proximidades do ápice da aurícula esquerda. 
Logo em seguida, emite um ramo interventricular anterior e um ramo circunflexo que da origem a artéria marginal esquerda. 
Na face diafragmática as duas artéria se anastomosam formando um ramo circunflexo. 
O sangue venoso é coletado por diversas veias que desembocam na veia magna do coração, que inicia ao nível do ápice do coração, sobe o sulco interventricular anterior e segue o sulco coronário da esquerda para a direita passando pela face diafragmática, para ir desembocar no átrio direito. 
A porção terminal deste vaso, representada por seus últimos 3 cm forma uma dilatação que recebe o nome de seio coronário. 
O seio coronário recebe ainda a veia média do coração, que percorre de baixo para cima o sulco interventricular posterior e a veia pequena do coração que margeia a borda direita do coração. 
abaixo selecionamos algumas imagens para você entender melhor o texto.



























domingo, 11 de março de 2012

HISTOLOGIA DO MIOCARDIO

Examinadas ao microscópio optico, as paredes do coração são compostas por feixes de fibras musculares aproximadamente cilíndricas de 10 a 26 u de diâmetro e 50 a 140 u de comprimento, mostrado estriações cruzadas claras e escuras em sequência e ligações laterais. São as células miocárdicas ou o cardiomiócitos, atriais e ventriculares, sendo os miócitos atriais menos que os ventriculares, e ainda maiores os de tecido de condução. O núcleo do cardiomiócito encontra-se centralmente.
Uma miofibra é um grupo de miócitos mantidos juntos por tecido conjuntivo circundante. Essa matriz extracelular,os amarra e os sustenta. A Comunicação entre os cardiomiócitos se da de maneiras muito interessante; existem poros juncionais formados por proteinas de íons e pequenas moléculas de uma céula para a outra, e os impulsos elétricos também passam por essas junções. A função primordial dos cardiomiócitos é executar o ciclo de contração-relaxamento.
Porém, se formos adiante, com auxílio do microscópio eletrônico vemos que cada céulas é envolvida por uma membrana bilipídica - o sarcolema, que circunda feixes de miofibrilas, essas que agora delimitam um segmento ainda menor, que agora são os sarcômeros - que é a unidade morfofuncional do miocárdio.
Juntamente com as miofibrilas e o sarcolema, temos inumeras mitocôndrias, ocupando um quinto a um terço do volume do miócito. Essa quantidade de mitocôndria é importante para o tecido cardíaco, pois é coração é um orgão que precisa de grandes quantidade de energia. 
O citoplasma constitui-se do fluido intracelular e das proteínas contidas dentro do sarcolema. O citosol, que é a parte não proteica do citoplasma, contém sistemas sinalizadores moleculares que transmitem mensagens de receptores superficiais para organelas intracelulares.
Existe também no tecido, o retículo sarcoplasmático, que tem como função o armazenamento de cálcio ( iremos especificar mais quando falarmos de contração muscular). Essa estrutura faz uma invaginação do sarcolema, formando uma extensa rede tubular transversa ( túbulos T) que se ramifica e penetra na profundidade dos sarcômeros, estendendo o espaço extracelular até o interior da célula e provendo importante via de para liberação de substrato à miofibrila.
Uma característica do músculo cardíaco é a presença de linhas transversais fortemente coráveis que aparecem em intervalos irregulares ao longo da célula. Estes discos intercalares são complexos juncionais encontrados na interface de células musculares adjacentes.
Indo mais especificamente para o sarcômero, notamos que é limitado em cada extremidade pela linha Z ( abreviação para Zückung - contração em alemão), na qual estão aderidos os filamentos de actina. Já os filamentos de miosina estendem-se do centro do sarcômero para os dois lados sem alcançar as linha Z;entratanto, ligam-se às linhas Z por grandes moléculas elásticas de titina ou conectina ( que é a maior molécula de proteina - elástica, flexivel e delgada - que fornece elasticidade e suporta a miosina e a une com a linha Z.
A banda central ( A), escura, é ocupada pelos filamentos de miosina e da actina em paralelo, e o meio da banda A ( zona H) representa a região ocupada só pela miosina. Existem, outras proteinas envolvidas com o músculo cardíaco, como por exemplo a Distrofina - que é uma proteina intracelular que liga o sistema contrátil, por meio de actina, com o sarcolema e daí com a matriz extracelular. A distrofina tem importância em algumas doenças com a Distrofia muscular de Duchenne - que tem comprometimento do coração.
Por fim, as fibras cardíacas apresentam grânulos secretores localizados próximos aos núcloes celulares, na região do aparelho de Golgi. Esses grânulos são mais abundantes nas células musculares do átrio esquerdo, mas existem no atrio direito e nos ventriculos. São grânulos que contêm a molécula precursora do hormônio ou peptídeo atrial natriurético (ANP). Este hormônio atua nos rins aumentando a natriurese e a diurese pela urina.

Na próxima postagem, iremos falar sobre a macroscopia.

Bibliografia usada e indicada para maiores informações : Dinâmica cardiovascular - Do miócito à maratona. Gottschall - 2005
Histologia básica - Junqueira e Carneiro . 11 edição

corte histológico do miocardio - normal

domingo, 4 de março de 2012

Nessa primeira postagem acho interessante apresentar os membros do grupo e o que pretendemos com esse blog.
Iniciamos então com os seus membros:
Profa. Dra. Marcia Koike
Gabrielle Idealli
Mayara Rhaíssa de Moraes Alves
Nadiele Esteves do Carmo 
Julianne dos Santos Maldonado
Felipe Menetti
Carlos Roberto Massella Junior


Posteriormente iremos colocar a linha de pesquisa de cada membro.


Por fim, o grupo tem interesse geral pelas ciências cardiovasculares. Aqui em nosso blog, iremos abordar temas como: Histologia, fisiologia, morfologia e patologias cardíacas que são possíveis estudar em modelos experimentais, bem como artigos sobre estudos epidemiológicos. Também iremos disponibilizar e debater sobre alguns artigos interessantes sobre os temas mais pertinentes ao grupo.

Nosso logo

Logo do núcleo de estudo do coração.